Composições com elementos básicos da linguagem visual

Os elementos básicos que utilizamos nos trabalhos de comunicação visual podem fazer parte de uma composição, mas também podem ser o elemento-chave na significação ou mesmo ser o único elemento da composição.

Em um trabalho gráfico podemos explorar pontos, linhas, superfícies, volumes/profundidade, texturas e cores.

Pensando mais profundamente sobre cada elemento em uma imagem, vamos entendendo melhor o potencial significativo de um simples ponto, ou uma cor, por exemplo. E para instigar o olhar atento, selecionamos alguns estudos de composição com poucos elementos. Você vai poder observar a personalidade de cada um e verificar como transmitem ideias e sensações muito específicas. Também vamos observar esses elementos em maravilhosos trabalhos de arte e design. Inspire-se!

Ponto.

Um ponto, ou uma forma bem pequena em relação ao espaço ao seu redor, atrai o olhar para si.

Wassily Kandinsky, um artista que estudou com profundidade as formas e as cores básicas, escreveu alguns livros importantes sobre o tema. Ele considera que cada elemento tem suas ressonâncias, ou seja, seus efeitos e influências na composição, mas que podem ser alteradas por influência de outros elementos da imagem.

Para ele, o ponto não tende ao movimento, mas tende a se incrustar na superfície. Realmente, o ponto pode parecer uma saliência ou um buraco e atrai a atenção para as profundezas do seu ser. O ponto tem uma forte força de atração do olhar.

Veja um exemplo estratégico que foi adotado nos mictórios do aeroporto de Amsterdã. Uma mosquinha foi pintada perto do ralo. Com isso, as pessoas miravam na mosca e os respingos de xixi diminuíram 80%.

Também pode ser usado em conjuntos criando formas complexas, como os pixels em uma imagem digital ou os pontos em uma imagem impressa. Na arte, o pontilhismo explorou o uso de pontos com cores básicas em que os conjuntos vistos de longe formam outras cores e criam paisagens. Na pop arte, as imagens foram ampliadas mostrando os pontos usados na impressão. E na arte contemporânea podemos ver trabalhos em que o ponto é destaque.

Linha

Douglas Gomes.

O ponto em movimento desenha uma linha. A linha pode ser reta ou ondulada, pode ser grossa ou fina, tracejada, pontilhada, mas nunca é estática. A linha é um elemento dinâmico, sempre dá a sensação de caminho, de direção.

Sua natureza linear e fluida reforça a liberdade de experimentação. Contudo, apesar de sua flexibilidade e liberdade, a linha não é vaga: é decisiva, tem propósito e direção, vai para algum lugar, faz algo de definitivo. 

DONDIS, 1997, p. 56

Podemos pensar na linha como o contorno de um desenho, mas ela pode ser a própria forma ou servir para criar texturas, luzes e sombras.

www.preschoolcrafts.us; Edmilson Vasconcelos.

Veja como as linhas criam diferentes percepções do espaço nas instalações do artista Antony Gormley e no trabalho de Fred Eerdekens, que contrasta a linha curva e sua sombra, revelando a palavra “mínimo”.

Veja algumas experiências em composições com linhas retas e com linhas curvas feitas por estudante do curso técnico em Comunicação visual:

Maria Luiza Vilvert.
Amanda Letícia dos Santos; Maria Antonia Mariotti Chiquetti.
Júlia Silveira Porto; Maria Elisa Farias.
Annie Fremiot Machado Simoes; Leonardo Popeng Martins; Maria Clara de Oliveira Mendes.
Júlia Silveira Porto; Maria Elisa Farias.
Kettlin Hermesmeier.

FORMA

A superfície ou os planos de cores podem ser usados em formas abstratas ou remeter à coisas conhecidas.

Observando as formas mais básicas como o quadrado, o triângulo e o círculo, é possível perceber que o quadrado é uma forma estável, apoiada, forte, e que geralmente contribui para transmitir a sensação de segurança. Enquanto o triângulo aponta uma direção, conduz o olhar e, por isso, é considerado uma forma dinâmica. O círculo também conduz à ideia de movimento, mas é um movimento cíclico.

Na arte, os trabalhos de Piet Mondrian, com composições de formas planas, contribuíram para entender como essas áreas de cor funcionam, influenciando o design e a arte do mundo todo. Ele buscava o equilíbrio perfeito. Os diferentes tamanhos dos planos eram trabalhados com extremo cuidado para que nenhuma cor tivesse mais destaque do que outra. Se as áreas de cores fossem do mesmo tamanho, o amarelo pareceria estar na frente e o azul em profundidade, por exemplo.

Veja também alguns exercícios de composições com formas planas:

Maria Luiza Vilvert; Kettlin Hermesmeier; Maria Clara de Oliveira Mendes.
Júlia Silveira Porto; Maria Elisa Farias.

VOLUME/ESPAÇO

Os objetos e o próprio espaço podem ser explorados valorizando a profundidade. E não apenas de forma realista, mas conduzindo o olhar e a imaginação para outros espaços, até mesmo para fora da imagem.

Os artistas Christo e Jeanne-Claude cobriram o prédio do parlamento Alemão, e esse ato de esconder, ironicamente, chamou a atenção para o lugar.

TEXTURA

A textura é outro elemento que pode ser transformador do significado. A textura relaciona o olhar com o tato e pode transmitir sensações de conforto e delicadeza ou de aspereza fria e até agressiva.

O contraste de texturas, revelando os materiais, pode ser um recurso muito útil para a solução de um trabalho gráfico.

CORES

A cor é um dos elementos básicos mais expressivos, e é explorada para gerar sensações, emoções e mesmo promover ações do observador, como atrair consumidores, ou provocar uma ideia negativa sobre um tema.

O vermelho, por exemplo, está relacionado com a violência, o perigo, a urgência. Pode ser usado para passar essas ideias intencionalmente em uma composição, que pretende mostrar um risco, fazer uma crítica. Um céu vermelho, um rio vermelho, por exemplo, não provocam a sensação de paz.

Mas o vermelho também é paixão, tesão, força, energia!

O artista Marco Evaristti fez uma expedição à Groenlândia e pintou um iceberg de vermelho (com uma tinta que se degrada sem agredir o ambiente). O impacto visual dessa obra é impressionante.

Veja algumas composições com cores quentes, cores frias e cores neutras.

Maria Elisa Farias; Amanda Letícia dos Santos; Júlia Silveira Porto.
Maria Clara de Oliveira Mendes; Maria Elisa Farias; Maria Luiza Vilvert.
Maria Luiza Vilvert; Amanda Letícia dos Santos; Júlia Silveira Porto.

Relacionando esses elementos básicos entre eles, ou entre eles e o espaço que os contém, podemos criar transparências, indicar tamanhos/escalas, propiciar a percepção de movimento e podemos utilizar diferentes técnicas de composição visual para transmitir as ideias que queremos.

Os trabalhos de composição foram orientados pela proª Janaí de Abreu Pereira.