como contar essa história?

A história é sempre um recorte, um olhar bem específico. A história pode ser contada por diferentes abordagens. Para contar a história da arte, por exemplo, pode-se adotar uma:

– Abordagem formalista: conta a história com foco no desenvolvimento do conhecimento das formas e das técnicas.

– História social da arte: história da produção artística como reflexo da cultura de cada sociedade.

– Abordagem psicológica: considera principalmente a individualidade do artista, diretor ou criador. Muitas vezes, adota um tom romântico valorizando o mito do gênio do artista e conta mais a história da vida do que propriamente da arte.

– Semiótica: aborda os diferentes significados que os signos adquirem ao longo da história. Por exemplo, estuda como a mulher foi representada ao longo da história.

– Filosófica: aborda a estética, que é uma área de estudos da filosofia que começa a ser discutida na Grécia Antiga. Nesse momento, o principal objetivo era definir o que era a beleza, e as razões para se representar a beleza perfeita. Mas a estética ampliou a abordagem tentando entender como algo se torna artístico e não como se torna belo. Para a filosofia, o conceito de arte é particular porque só existe arte se a circunstância ou o objeto artístico promover uma experiência estética, ou seja, uma situação artística capaz de promover um estado diferenciado de lucidez ou de encantamento. O belo e igualmente o feio, o sublime, o trágico, o cômico e o grotesco podem promover uma experiência estética. E a experiência é algo pessoal; por isso, o conceito de arte é diferente para cada pessoa.

Veja alguns canais do YouTube que contam um pouco a história dos movimentos do cinema. Cada canal adotou uma abordagem diferente e focou em um aspecto da produção audiovisual. Para isso, cada um foi pensado a partir de um planejamento editorial e foram criados os nomes e as identidades visuais visando transmitir essas ideias.

CINE ROOTS

O Cine Roots quer transmitir a ideia de um canal com as raízes do cinema amador. Aborda as evoluções dos equipamentos e as diferenças na qualidade das produções. Mas enfatizam que não é isso que garante um bom filme.

Pedro Henrique Silagvi Ricardi, Eduardo Conterno Dziecinny, Matheus Schmidt

No primeiro vídeo, Pedro e Eduardo apresentam de forma simpática e inteligente as características do Neorrealismo italiano. Este movimento surgiu no período em que a Itália estava destruída pela guerra e, mesmo dispondo de poucos recursos, produziu alguns dos filmes mais emocionantes e profundos da história cinematográfica. Usando iluminação natural, o mínimo de equipamentos e atores não profissionais, as obras do Neorrealismo italiano mostravam ideias acerca da realidade vivida pela população italiana. O movimento deixou um legado muito bonito para o cinema mundial influenciando o Cinema Novo no Brasil, a Nouvelle Vague na França, o Cinema Livre na Inglaterra e diversos grupos de cineastas ao redor do mundo. Muitas técnicas exploradas por esses cineastas ainda são utilizadas atualmente, como as tomadas longas, os planos-sequência e o uso da câmera na mão.

O vídeo comenta também a respeito dos equipamentos utilizados e faz interessantes comparações com o que é usado hoje.

DELAS

Delas é um canal feminino, que tem origem na falta de representatividade da mulher real. Os vídeos apresentados são de curta duração, entre 10 e 30 min, com um conteúdo abordado de forma leve, sutil e descontraída. Os recursos visuais são valorizados e busca ser acessível a todos.

Conforme a equipe que desenvolveu o projeto, os conceitos que definiram para a identidade visual do canal são: artístico; feminista; provocante; inclusivo e interativo.

 

Queremos um conteúdo profundo sobre como o cinema e a arte representam a figura da mulher e seu lugar na sociedade. Delas é um espaço de debate, de comunicação e de representatividade. O nome vem dessa ideia, é um lugar, um coletivo, é um espaço de poder e visibilidade.

Nath, Lina , Julia

Nath, Lina , Julia

O primeiro vídeo aborda o Cinema Novo e destaca o trabalho de Helena Solberg, diretora, produtora e roteirista.

O Cinema Novo, que aconteceu nas décadas de 1960 e 1970, adotava pautas progressistas debatendo a desigualdade e o autoritarismo. A frase “Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” resume bem como os cineastas do movimento concebiam seus filmes. Eram filmes que se diferenciavam das caras produções inspiradas no cinema hollywoodiano, buscando refletir a realidade nacional de forma econômica e com uma estética autenticamente brasileira. Usavam um tom realista e cenários naturais como o campo ou as favelas, mostrando as mazelas do subdesenvolvimento. Mas a partir do golpe e da terrível repressão imposta pela ditadura militar, vários filmes foram censurados, cineastas foram presos e muitos exilados. O movimento do Cinema Novo perdeu força e se multiplicaram as produções oportunistas de filmes patrióticos. Como em toda a ditadura, a arte foi reprimida, proibida.

O primeiro vídeo do canal Delas conta a história do Cinema Novo observando que nos filmes tinham poucas atrizes e a única diretora que se destacou foi Helena Solberg.

O vídeo apresenta o trabalho dela que começou como repórter, ganhou vários prêmios e ficou conhecida no Brasil e internacionalmente como importante documentarista e produtora. O vídeo mostra também uma entrevista em que Helena conta como as ideias do Cinema Novo influenciaram seu trabalho.

Incinerados

É um canal com uma estética trash, um tipo de filme que usa humor negro, poucos recursos e poucas preocupações com a qualidade técnica ou com o estilo de linguagem.

Os incinerados abordam os diferentes movimentos do cinema com deboche e ironia, para que o espectador não esqueça dos exemplos apresentados.

A identidade visual foi definida a partir da escolha do nome.

 

Sendo um nome do tipo encontrado, INCINERADOS entra na estética trash 2000 que procurávamos. Pensamos em uma ideia que passasse humor e tivesse a palavra cinema, ou cine. A princípio o nome seria CINERADOS, remetendo ao radical. Contudo ainda faltava a sensação de algo caótico, explosivo, como um incêndio, chegando assim no nome INCINERADOS para o canal.

Maurílio Quadros, Alice Fernandes, Isabela Gumiero, Diogo Malgarise

 

Maurílio Quadros, Alice Fernandes, Isabela Gumiero, Diogo Malgarise

O primeiro vídeo foi a respeito da Nouvelle Vague, um movimento que quebrou muitos tabus e valorizou o feminismo. Com apenas uma câmera e sem roteiro definido, os diretores conseguiram fazer filmes maravilhosos que celebram a paixão pela vida.

As características da Nouvelle Vague não são usadas na estética do vídeo do canal, mas são mostradas pequenas cenas dos filmes com comentários humorados.

PIPOCA & HASHI

O canal aborda o cinema asiático que vem ganhando popularidade, seja pelos dramas coreanos, seja pelo conhecido Jackie Chan, seja pelos efeitos bollywoodianos.

O projeto do canal foi desenvolvido a partir da definição dos seguintes conceitos: lúdico, didático e divertido. E tanto no nome como no projeto de identidade visual foi usado uma combinação de elementos que fazem referência ao cinema e à Ásia: pipoca e hashi.

Bianca Nunes Duarte, Gustavo Sobrosa de Araújo e Renata Palma de Moura

Mas a Ásia é muito grande e diversificada e, para abordar a história do cinema asiático em um vídeo curto, foi necessário fazer um recorte, selecionando alguns períodos, e definir um aspecto que pudesse conduzir a narrativa relacionando esses diferentes estilos de cinema.  

O vídeo destaca momentos marcantes da história de alguns países mostrando como a política interfere na produção audiovisual. Aborda também as diferenças entre o mundo ocidental e oriental que o cinema ajuda a revelar.

O Irã, por exemplo, que era uma monarquia, em 1970 se transformou em uma república islâmica liderada por Khomeini, que proibiu hábitos ocidentais como vestuário, maquiagem, músicas e jogos. O cinema iraniano tem como características mostrar a vida cotidiana com simplicidade, sem muitos efeitos, e usar linguagem metafórica para abordar temas como política e sociedade.

O Japão enfrentou grandes mudanças no pós-guerra que se refletiram no cinema. As produções passaram a conter cunho ideológico, especialmente contra os Estados Unidos.

Na Coreia, até o fim da década de 1910, todos os filmes exibidos no país eram estrangeiros. Nesse período, parte da península coreana foi anexada pelo Japão, que proibiu a língua coreana e a produção audiovisual. Na década de 1950, no contexto da Guerra Fria, a guerra das Coreias dividiu o país em dois. Com reestruturação da Coreia do Sul, o país passou a investir na indústria audiovisual no período que ficou conhecido como era do ouro do cinema sul-coreano. Porém, a partir de 1961, um golpe militar instaurou uma ditadura que, como todas, teve um impacto extremamente negativo na arte e no cinema, com a censura de inúmeras obras. Apenas a partir da década 1980 foi que a censura começou a se tornar mais branda e, na década de 1990, com a insistência dos produtores, o cinema coreano passou a ter destaque internacionalmente. De comédias românticas passando por superproduções e abordagens que refletem a realidade política e social do país, o cinema sul-coreano é diversificado e abrange diversos gêneros. Isso faz com que a Coreia do Sul seja um dos únicos países do mundo em que o cinema nacional é mais visto que o cinema norte-americano.

Os filmes chineses por um período foram muito influenciados pelo cinema ocidental, o que não agradava muito a população, mas filmes como a Grande Muralha, que conta o motivo da construção da Muralha da China e os monstros que eles acreditavam, nos fazem perceber a grande diferença entre o cinema ocidental e o oriental.

O nome brinca com as palavras “mudo” e “mundo”. Cinema mudo visto por todo mundo!

Izabella, Andres, Julia

O primeiro vídeo trata do Expressionismo alemão. O grupo conversa a respeito de vários filmes e as características desse movimento que foi um marco na produção cinematográfica e influencia até hoje a produção de filmes de terror. Os cineastas exploravam a gravação interna em cenários construídos para isso, usavam muitas referências da arte abstrata, iluminação e ângulos de câmera exagerados e elementos distorcidos para mostrar dor e desespero, colocando o espectador em uma situação de angústia e de medo extremo.

BUENAS MÍDIAS

O canal tem como objetivo apresentar alguns filmes latino-americanos e estudar a obra cinematográfica, analisando o uso de elementos da linguagem audiovisual, enquadramentos, ângulos e movimentos de câmara, roteiro, figurinos, cenários e recursos de edição.

A identidade visual do canal faz referência ao cinema, ao trabalho analítico e à América Latina.

Natalia de Matos França, Fritznel Theodor, Gabriel Rosa

No primeiro vídeo observam que as obras cinematográficas latino-americanas são repletas de críticas sociais, questionamentos morais e dramas. Muitas vezes, abordam regionalidades periféricas mostrando problemas de discriminação e diferenças de classes e apresentam um caráter contestador, anti-imperialista e de resistência ao colonialismo.

Neste vídeo apresentam dois filmes e comentam a construção de algumas cenas:

– Memórias do subdesenvolvimento

Um filme cubano que mostra a sociedade em uma grande transição, sendo considerado o principal registro do cinema cubano da revolução socialista. Ao apresentarem o filme, enfatizam o uso de uma narrativa não linear e muitas cenas que utilizam câmera subjetiva, substituindo o olhar do personagem.

– Cidade de Deus

Destacam que o filme mistura atores profissionais com amadores apostando em atuações mais naturalistas. As falas de improviso e uso de gambiarras também são destacados como elementos característicos da criatividade e originalidade no cinema brasileiro.

FALANDO RUSSO

Conforme os idealizadores, o canal tem como objetivo analisar os efeitos e técnicas utilizadas no movimento do cinema construtivista, mostrar como influenciaram o cinema atual e chamar a atenção para a importância de ampliar a análise do comportamento do espectador e aprofundar o estudo da teoria cinematográfica.

 

Os vídeos serão feitos em um tom descontraído, como se estivéssemos em uma roda de conversa contando histórias, com a diferença de que não apareceremos, e sim, usaremos imagens para ajudar com nossa narrativa.

Gisele, Carlos Henrique e Sofia

A identidade visual do Falando Russo utiliza referências do movimento artístico Construtivismo russo que se caracterizou pela utilização de elementos geométricos, cores primárias, fotomontagens e a tipografia sem serifa.

Gisele, Carlos Henrique e Sofia

O primeiro vídeo do canal aborda as características estéticas e de linguagem do Construtivismo russo, os grandes diretores, as técnicas que inventaram e os filmes que influenciaram o cinema mundial.

Os projetos foram orientados pelos professores Daniel Scandolara, Fabiana Bubniak e Renata Krusser.